BLOG DOS PROFESSORES APROVADOS SEEDF 2013

Os 7 mitos na educação

Posted by Gilberto Lenz em 15/11/2009

Matéria publicada no Site Notícias da Rede do Governo do Distrito Federal em 9 de novembro de 2009.

Para melhorar a Educação no Brasil basta investir mais, aumentar o salário dos professores e treiná-los constantemente, além de melhorar a infraestrutura das Escolas, certo?

Errado. Diversos estudos nacionais e internacionais mostram que as “soluções” acima, na verdade, não passam de mitos. São questões importantes para um projeto de longo prazo, mas que por si só não promovem melhoria na Educação.

Em relação ao investimento, por exemplo, municípios que gastam R$ 1.000 por aluno no fundamental tiveram a mesma nota na Prova Brasil (exame federal que avalia estudantes) que municípios que gastam R$ 3.000, segundo dados de 2005 que embasam pesquisa de Naercio Aquino Menezes Filho, do Insper (antigo Ibmec).

Cingapura é outro exemplo de que gastos e qualidade na Educação não têm uma relação direta. O país obteve ótimos resultados nos últimos anos apesar de ter aplicado menos recursos na Educação primária que 27 dos 30 países da OCDE (organização de países desenvolvidos), segundo relatório de 2007 da consultoria McKinsey.

A relação entre desempenho dos alunos e salários de professores também não é tão direta. O Distrito Federal, por exemplo, paga os melhores salários do país, mas não tem o melhor resultado em exames federais como Prova Brasil e Saeb, segundo levantamento feito por Maria Helena Guimarães de Castro quando era secretária de Educação de SP, cargo que deixou neste ano.

O problema da Educação é muito mais complexo. Mas é consenso que o ponto central é ter professores bem formados, que saibam ensinar e dominem a disciplina que lecionam.

Parece simples, mas não é. É comum, em muitas regiões do país, que professores de matemática sejam contratados para ensinar física. Segundo o censo da Educação básica de 2007, dos professores de física no ensino médio do país, só 25% tinha formação na área.

Isso porque os formados em física acabam atraídos por outras profissões com maior retorno financeiro.

Mas, então, aumentar o salário significativamente não ajudaria? Estudiosos de Educação acreditam que um reajuste assim só teria efeito no longo prazo. Aumentar sem critérios os salários de todos os professores não fará com que eles passem a ensinar melhor agora, pois já têm falhas na sua formação.

Uma opção a curto prazo sugerida por Menezes Filho é atrelar o reajuste à melhora no desempenho. Assim, ele funcionaria como estímulo.

Já no longo prazo, de fato, esse aumento no salário pode ser eficaz, a partir do momento em que a carreira de professor passa a interessar os melhores alunos do ensino médio.

Abaixo, veja sete mitos derrubados por pesquisas:

1. SÓ PAGAR MELHOR O PROFESSOR JÁ MELHORA O APRENDIZADO

Pesquisas nacionais e internacionais indicam que não há relação entre o salário do professor e o aprendizado dos alunos no curto prazo, já que não há impacto imediato na maneira como o professor ensina. No entanto, no longo prazo, alguns especialistas em Educação afirmam que isso pode tornar a carreira de professor mais atraente, estimulando os melhores alunos do ensino médio a seguirem essa profissão.

2. MELHORAR A INFRAESTRUTURA DA Escola TEM IMPACTO POSITIVO NO DESEMPENHO DOS ALUNOS

Na avaliação de alunos da oitava série na Prova Brasil de 2007, de 14 CEUs avaliados, 9 tiveram nota menor que a média da rede municipal de São Paulo. Uma das hipóteses é que, sem ter professores preparados para ensinar melhor, dispor de facilidades como piscina, teatro e recursos tecnológicos avançados não traz avanços no aprendizado dos alunos.

3. A PROGRESSÃO CONTINUADA CONTRIBUI PARA PIORAR A QUALIDADE DO ENSINO

Nesse sistema, o aluno não está sujeito a repetência ao fim de cada série, mas ao fim de cada ciclo. Segundo pesquisa de Naércio Menezes Filho, os alunos das redes com progressão continuada têm desempenho muito parecido ao dos alunos de Escolas com regime seriado. “Além disto, a evasão é muito maior no segundo caso (seriado).”

4. CURSOS DE RECICLAGEM PARA PROFESSORES AJUDAM A MELHORAR O ENSINO

Estudos feitos no Brasil e no exterior mostram que os professores que fizeram os chamados cursos de formação continuada não passaram a ensinar melhor. Isso porque eles são muito teóricos e influenciam pouco na melhoria do ensino em sala de aula. Mozart Neves, presidente do Todos pela Educação e professor da UFPE, ressalta que o mais indicado seria melhorar a formação dada nas universidades.

5. GASTAR MAIS COM EDUCAÇÃO É SUFICIENTE PARA AUMENTAR O APRENDIZADO DOS ALUNOS

De acordo com levantamento feito por Menezes Filho, municípios que gastam R$ 1.000 por aluno no ensino fundamental têm a mesma nota na Prova Brasil do que municípios que gastam R$ 3.000. O economista Gustavo Ioschpe lembra ainda que, na maioria dos casos, aumentar os gastos com Educação significa elevar os salários dos professores, que não é algo que dá resultados.

6. A ESCOLA NÃO PODE AJUDAR FILHOS DE FAMÍLIAS DESESTRUTURADAS

Para aprender, o aluno deve estar bem emocionalmente, mas isso não quer dizer que a Escola deve se eximir de seu papel de educar, diz Magdalena Viggiani Jalbut, do Instituto Superior de Educação Vera Cruz. Além disso, mesmo no caso de uma família fora do padrão (quando mãe e pai não estão interessados na Educação do filho), qualquer outro parente, até um primo, pode estimular a criança a aprender, segundo estudos feitos na França citados por Maria Letícia Nascimento, da Faculdade de Educação da USP.

7. SISTEMAS DE ENSINO APOSTILADOS TOLHEM A AUTONOMIA DO PROFESSOR

Estudos feitos por Paula Louzano, doutora em Educação pela Universidade Harvard (EUA), mostram que municípios de SP que usam esses métodos estruturados (como os do COC e do Anglo, com apostilas) tiveram desempenho superior na Prova Brasil, na comparação com as demais redes municipais. Em entrevista com professores que usam o sistema, 84% disseram que o desempenho dos alunos melhorou e 36% que o material estimula o aprendizado.

Uma resposta to “Os 7 mitos na educação”

  1. 8)mito – Recuperação

    Professor, meio do sistema
    Claudeci Ferreira de Andrade

    Ouvindo uma reportagem na Rádio CBN sobre a nova lei contra os crimes na internet, e o entrevistado dizia que estava havendo uma injustiça muito grande, queriam penalizar os provedores de internet porque um usuário manipulou o site de forma criminosa. E ele fez uma parábola que achei demais interessante: Imagine a grande injustiça, penalizar o fabricante de um carro porque um ladrão usou esse carro para roubar!
    Eu estou de recesso, mas não cessei de pensar nos últimos dias letivos desse ano. E fiz uma relação dessas injustiças do mundo global da internet com as do mesmo porte no meu mundinho educacional, no qual um professor é obrigado a passar a limpo um diário de classe porque reprovou trinta por cento da classe. O mestre é mais uma vez penalizado porque os alunos descomprometidos com os estudos não fizeram um bom aproveitamento dos conteúdos ensinados por ele.
    Como disse o Ventania, de quem sou fã, diga-se de passagem, na sua canção Símbolo da Paz: “Estou aqui sentado na beira da estrada. Fazendo uma fogueirinha. Enrolando uma palhinha. Escrevendo essas linhas. Vendo o caminhão passar”. Penalizado por um dilema, mas a refletir: deixei para recuperação vinte por cento de meus alunos. Os colegas me criticaram dizendo que eu fui burro demais, ou gostava de fazer hora extra, ou ainda sadomasoquista, em meios aos gracejos. Mas, eu só queria fazer diferente do ano passado em que aprovei direto, sem recuperação, a todos. Fui criticado severamente. Disseram-me pelas costas que eu era um professor “frouxo”. Outros perguntavam: — como pode não ficar nenhum, dos alunos que eu conheço muito bem, em Língua Portuguesa?
    Enfim, derrubaram a minha ficha, a recuperação é paralela, mas tenho que deixar alguns alunos, “gatos pingados”, das minhas classes de Língua Portuguesa para fechar a boca dos colegas invejosos que não suportam me ver em recesso antecipado, ainda bem que os invejosos são assim tão magros e pálidos porque mordem e não comem, parafraseando o escritor espanhol Francisco Quevedo que já refletiu: “A inveja é assim tão magra e pálida porque morde e não come.” Sem falar que a recuperação especial é mais um dos faz-de-conta do sistema pois a escola tem que aprovar todos os alunos. Recupera-se nota, não conteúdo. Como é possível fazer em três dias o que não se conseguiu em um anos? http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2007/05/14/pais20070514013.html
    É! Feito professor, sinto-me o elemento mais ordinário e infame da natureza, por ser forçado a pagar uma divida que não é exatamente minha. Como gostaria que meus chinelos fossem de pneu! Não é, seu Ventania?

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